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Pode faltar muita coisa a Pedro Caronte, rima, métrica, enjambements, algum classicismo, mas não lhe falta coragem! Por si só, dedicar uma obra ao “gigantesco, incontrolável, indecifrável e fugidio sentimento que nos faz Humanos” já prenuncia grandes tempestades. Esse “pássaro rebelde” que foge à medida que nos aproximamos dele, é a base (insólita) de onde parte o poeta para homenagear o amor em todas as suas formas e circunstâncias. Mas, eis o desafio: como apreender este objeto inapreensível, que evanesce ao ser tocado? Os poetas, porém, são sábios e por isso propõem saídas radicais. E assim surge o brutal, total e invasivo método da evisceração. O poeta, como o Cristo, oferece-se em holocausto para salvar a raça humana do fenecimento do amor no consumo. Ele, então, anuncia a boa nova: Eviscerar-se é a nova / boa nova / Da ordem dos tempos / Que virão! / Transmutação e prova / De todos os valores / Que serão [Carne] [E Espírito] [Santo].