área exclusiva para clientes

E-books

Eu pagaria por esse doce!

Por
Lucas Corazza
Editora
Senac
Formatos
Sinopse

Bolo, torta, pudim… São preparos que pedem conhecimentos de estrutura, de gorduras, de espumas, de texturas. Não é exagero dizer que preparar um bolo em camadas é um trabalho de arquitetura culinária – são exigidos cálculo e precisão para um resultado final satisfatório. Tudo em confeitaria, seja no bolo, seja na montagem, é sobre proporção e estrutura. Equilíbrio e materiais. Resistência de materiais, como na arquitetura. Então, você tem que saber que o recheio mais firme vai ficar embaixo. Os menos firmes vão ficar em cima. A cobertura tem que sair do bico de confeitar como se estivesse em um túnel. Caso se use uma cobertura mole, que não vai deslizar apropriadamente pelo bico, não vai funcionar.
Até na hora de servir, é preciso pensar em cálculos e formas. Você consegue fazer as receitas com medições volumétricas quando o bolo tem a mesma proporção de tamanho e o mesmo peso de massa. Para vender bolo em fatia, o formato triangular é perfeito. “Nunca subestime o poder de uma fatia!” Essa é uma frase que eu digo na faculdade. O movimento delicado que se faz na hora de incorporar as claras em neve à massa mais densa não é por acaso. A envelopagem assegura a leveza do doce. Envelopamos mousses, mas também o bolinho da tarde que desejamos leve e fofinho ao sair do forno. Já simplesmente misturar é um movimento circular. 
Para fazer um bom pão de ló, é preciso bater claras e gemas com o açúcar até obter uma espuma. Depois, peneira-se a farinha por cima não só com delicadeza, mas também fazendo a manobra certeira com um fouet, ou com uma espátula: de baixo para cima e do centro para fora, como uma onda. 
Outro exemplo: se a massa for amanteigada, você deve bater a manteiga com o açúcar, para, depois, “adicionar e misturar" os ovos, um a um. Isso faz com a massa seja preparada de uma emulsão. Nesse caso, se algum dos ingredientes estiver gelado, a massa vai talhar. Se tudo estiver na mesma temperatura, a massa vira um creme – técnica que, em francês, tem o nome de “crémage”. Parece complexo, mas, como tudo na vida, é uma questão de treino para acertar na mão. O equipamento que você usa no preparo de uma receita também altera o resultado. A farinha para o pão de ló fica melhor quando misturada com a ajuda de uma espátula ou de um fouet. Por sua vez, massas amanteigadas podem ser preparadas do início ao fim na batedeira. Porque, na batedeira, a massa é batida e não envelopada. 
Em suma: palavras podem ser usadas para nomear os ingredientes, mas as histórias que contamos em uma receita são importantes, e precisamos conhecer nossos “personagens” nessa história. Cada ingrediente tem sua história, suas características, sua aplicação correta. Cada um traz algo seu, para que, no fim, possamos nos tornar arquitetos e manipular suas formas, como contadores de histórias que invadem os sentidos. Em "Eu pagaria por este doce!", Lucas Corazza apresenta receitas deliciosas entremeadas por histórias maravilhosas. Porque a vida tem que ser doce!