Segundo Maria Adelaide Amaral: "Foi com raro deleite que li essa peça cerca de dois anos depois de a ver encenada, com a Bete Coelho numa das suas melhores atuações.
"Pai" é um grito e uma confissão da filha de um homem que não amava ninguém. Cedo, ela aprendeu a arte da dissimulação e da anulação, fazer cara de "eu não tenho culpa de nada", "sou uma santa", "estou aqui por acaso", "não tenho opiniões próprias". No resumo que a personagem faz: "Sou paralítica de pensamentos, palavras e ações". E o que receia de volta era a orgulhosa condescendência de seu pai, e uma ironia que banalizava seus pensamentos e ridicularizava todas as suas convicções. (...) E esse pai não percebia coisa alguma - o outro, os outros, a filha que emite ganidos de ódio e de amor por esse pai sem salvação, por um afeto que jamais obteve e cuja falta entretanto não a secou. O texto é eivado de poesia, boa poesia, observação aguda e, apesar de tudo, de muita compaixão."