Digitaliza - Conversão e distribuição de conteúdos digitais

Durante quase meio século, a morte de João Goulart permaneceu cercada por dúvidas. A versão oficial atribuiu seu fim a um infarto fulminante, ocorrido em 6 de dezembro de 1976, em sua fazenda na Argentina. A ausência de autópsia, a vigilância exercida pelas ditaduras do Cone Sul e os testemunhos surgidos posteriormente alimentaram a suspeita de assassinato. Mas nenhum livro havia avançado até a conclusão apresentada nesta obra: Jango não morreu de causas naturais. Foi envenenado. Em As duas mortes de Jango, documentos até hoje dispersos, reportagens da época, depoimentos, investigações judiciais e o manuscrito de um integrante do serviço secreto uruguaio são reunidos e confrontados para reconstituir os últimos anos do presidente deposto. O livro mostra como agentes acompanharam seus deslocamentos, aproximaram-se de sua rotina e adulteraram os medicamentos que ele utilizava, introduzindo comprimidos preparados para provocar uma parada cardíaca e fazer o crime parecer uma morte decorrente dos problemas de saúde de João Goulart. A investigação revela os bastidores da chamada Operação Escorpião, articulada dentro da estrutura repressiva da Operação Condor. Examina as contradições dos relatos, a atuação dos serviços de inteligência e as razões pelas quais os exames realizados quase quatro décadas depois não conseguiram confirmar nem descartar a presença de veneno. Este é o primeiro livro a sustentar, com base no conjunto de indícios e documentos examinados, que o envenenamento de João Goulart não foi apenas uma possibilidade, mas a verdadeira causa de sua morte, em contraposição àquela oficialmente apresentada pela ditadura militar.