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Desobediências da crítica nas encruzilhadas literárias

Desobediências da crítica nas encruzilhadas literárias

Por
Paulo Petronilio Petrot &Pedro Mandagará (orgs.)
Editora
Edições Verona
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Sinopse

Este livro é um convite à desobediência. Ele surge das encruzilhadas do pensamento e da vida. Parece até redundância falar em desobediência e encruzilhada, pois pensar na e a partir da encruzilhada já é em si um ato de rebeldia, de desobediência. Portanto, esse é um ato revolucionário e de [r]existência. Sim, ser rebelde e desobedecer são atos revolucionários, isto é, potencialmente e perigosamente subversivos. Exu é, sem dúvida, o mais desobediente, pois nos faz desobedecer ao centro, ao logos, à razão ocidentocêntrica e dialética da vida. Ele, com seu jeito astuto e desaforado, nômade e rebelde, nos faz inventar o novo a partir de um ato político de devoração antropofágica. É sob o signo da errância que o evocamos com suas encruzilhadas para ser o fio condutor dessas escritas. Exu é revolucionário e, poderia dizer, é um signo potente, pois através dele podemos dar uma rasteira ao projeto colonial racista moderno e desumanizador. A encruzilhada se transformou numa linha de força do povo preto e em uma máquina de guerra contra todo tipo de opressão. A encruzilhada reconhece que na margem tem potência, pois para afirmá-la é necessário não somente propor uma desobediência epistémica, como é necessário sacudir o logos paterno, o “poder do lugar” e virá-lo do avesso. A encruzilhada se afirma na fluidez, na dispersão, no movimento e na afirmação do devir. Ela nos permite os trânsitos e múltiplos deslocamentos. Ela nos convoca a sair da inércia, da “casa do ser” e se afirma na aventura de um espírito nômade, retirando assim, a consciência de seu sedentarismo. A encruzilhada é o lugar da inventividade e que pode se transformar em um procedimento crítico “metodológico” para pensar as vidas que estão fora da nação e da roda gigante da própria vida. Por ser um agenciamento político, é o lugar da experimentação e da invenção de novas possibilidades de vida. A encruzilhada é o lugar da [r]existência dos povos subalternizados e subjugados. A encruzilhada, por fim, é um dispositivo e como tal, é um conjunto de práticas, discursos, de afetos e perceptos. É um novo giro do pensamento: cabe todas as giras. Um giro que inclui corpo e afeto, onde sentimento e subjetividade sobrevivem juntos. A encruzilhada é o lugar dos múltiplos afetos e perceptos.