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Dança contemporânea

Dança contemporânea

Comunicação sem objeto - um estudo sobre a dança no ambiente midiático
Por
Arthur Marques
Editora
Gramma
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Onde encontrar
Sinopse

No Brasil, durante os últimos anos, distintos trabalhos passaram a se autonomear pela expressão “dança contemporânea”, praticando tamanha generalidade que impossibilita a identificação do objeto ao qual a expressão se refere. O bios midiático transformou a expressão em um dispositivo comunicacional e econômico de convocação biopolítica, naturalizada como uma nomeação inespecífica. Diferentes percepções sobre a expressão denotam esse fenômeno que pode ser observado em propagandas que circulam na internet em forma de flyers de cursos, de aulas, de oficinas ou de workshops; nos textos e nos resultados dos editais do Programa Petrobrás Cultural e em programas de dança para a televisão nos canais de arte SESC-TV, Arte1 e Canal Brasil. Esses dispositivos econômicos e comunicacionais, quando legitimados institucionalmente, agem como dispositivos biopolíticos de poder, legislando sobre o que deve viver ou morrer. Relações biopolíticas entre mídia e corpo demonstram o tipo de convocação realizado pelos dispositivos que exortam a expressão “dança contemporânea” como sinônimo do termo “dança”. Eles agem “esvaziando” a expressão e, simultaneamente, interpelando indivíduos como sujeitos-artistas “da dança contemporânea”. Em troca permanente de informações com o ambiente, os corpos dos indivíduos convocados biopoliticamente produzem recorrências estéticas, manifestadas no bios midiático. Esse efeito é verificado, de forma basilar, na esfera do ensino-aprendizagem, em aulas de danças nomeadas como “contemporâneas”. A complexidade instaurada é vasta, produzindo muitas perguntas. A sucessão de reflexões aqui reunidas se apoia no entendimento de que a excessiva generalidade da expressão “dança contemporânea” deve ser lida na relação com o ambiente que a gesta e no qual se reproduz.